Depois de um fim-de-semana de congresso, de não sei o quê na Madeira e de saber que os islandeses não querem pagar o champagne que beberam resolvi aproveitar o resto de Domingo e reler O Fim, de António Patrício. Quando há vinte anos li pela primeira vez os livros do autor, que publicou esta peça pouco tempo antes do fim da monarquia constitucional, não consegui perceber este sentimento de apocalipse que sobressai de palavras como estas — "Há oito dia já, não existimos ...; desde que os representantes dos nossos credores, reunidos em conferência internacional o decidiram. Pois bem: o conselho reuniu hoje... Tratou-se de ir, o mais polidamente possível, à despedida dos embaixadores, que receberam ordem dos governos para partir...; calculou-se a hora a que chegarão, para tomar posse de nós, as esquadras estrangeiras...; e alguns dos meus colegas, prevendo um protectorado moderno, no espírito da nossa civilização, dizem constar-lhes: que além da rigorosa administração da fazenda que foi nossa, nada sofreremos... Vão dar-nos mesmo um parlamento. Só não existimos... De resto, um parlamento póstumo ...
domingo, 10 de abril de 2011
O Fim
domingo, 23 de maio de 2010
Consertos
quinta-feira, 6 de maio de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
dia-a-dia de uma trouxa
sábado, 3 de abril de 2010
boa páscoa
terça-feira, 23 de março de 2010
dia-a-dia de uma trouxa
segunda-feira, 8 de março de 2010
dia da mulher

Não gosto muito, mas até ficava mal se não dissesse nada.
Já fui contra, mas agora sou favorável às quotas. Corre-se o risco de ver mulheres incompetentes em lugares de topo. É pena, mas sempre aumenta a concorrência; há muitos homens desses e não tivemos outro remédio se não habituarmo-nos. Talvez a solução esteja na criação de quotas para a incompetência.
quinta-feira, 4 de março de 2010
etiqueta a mais
Um destes dias fui ao supermercado lá da rua. Entrei, recolhi duas ou três coisas que precisava e quando quis pagar é que foram elas; alarmes a apitar, luzes a acender e a apagar que mais pareciam fogo-de-artifício em noite de romaria.
A menina, sem paciência e com mau modo, ia perguntando – os sapatos são novos, o casaco, a mala? Ia-lhe dizendo que não, mas pelo sim pelo não entreguei-lhe a malita que ela passou na máquina. Não apitou. Ao contrário, cada vez que me aproximava dos alarmes era um chinfrim desgraçado. Eu, que quase nunca compro nada, desfazia-me em desculpas e dizia que nada era novo. Receosa, lembrei-me que na semana anterior me tinha acontecido o mesmo numa loja, mas como o alarme tinha tocado à entrada deixaram-me sair sem qualquer problema; e como não ando a assaltar lojas também não liguei muito ao assunto.
Entretanto, a multidão que se foi juntando nas caixas ia certamente tomando partido, mas nem me atrevia a encará-los de frente. Olhei timidamente por cima do ombro e pensei - se o polícia, que está à porta, se aproxima eu morro de medo! O lampejo da sobrevivência atingiu-me o cérebro e num ápice despi o casaco. A menina passou-o, maquinalmente, na máquina. Apitou, tinha uma etiqueta, que a menina bondosamente desactivou.
Paguei e saí do supermercado dando graças a Deus por ter uma etiqueta no casaco e não numa qualquer peça de roupa mais próxima do corpo.
Mas hoje pergunto-me se não haverá nada para proteger o cliente incauto nestas situações? Como é que um ano ou dois depois a etiqueta volta a ficar activa?
Eu não peguei naquele casaco e não saí da loja de um qualquer centro a correr para não ser apanhada. Paguei o casaco e saí calmamente com o casaco no saco e não houve alarmes sonantes.
terça-feira, 2 de março de 2010
gosto de ler Camilo

segunda-feira, 1 de março de 2010
já nasceu o dono deste xaile
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
fazer justiça ao nome
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
11ª edição das Correntes d'Escritas
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Não se pode mostrar os dentes

Como a Primavera está a chegar tomei a sensata decisão de ir a pé para o trabalho. Para facilitar atravessei o hospital e fui encontrando figuras tipos ou aquelas pessoas que habitualmente chamamos cromos. Figuras da administração «papelar» e figuras médicas, conduzindo-se em transporte que não deixa dúvidas de que a doença dos outros é um negócio rentável. Doentes tristes, cabisbaixos deixando transparecer que a doença para além de magoar é coisa que humilha.
Os transeuntes, o lado mais animado como é óbvio, são cromos mais heterogéneos e entre elas a mãe e o filho que me fizeram companhia na caminhada. A mãe recolhe lixo nos caixotes da cidade, o filho acompanha-a e como conhece bem o lado estropiado da cidade vai, a esmo, alardeando cumprimentos. A mãe aos gritos vai dizendo – pá e vassoura, que maneira é essa de falar. Por minutos perdi-os de vista, mas à saída do recinto voltei a ouvir as recomendações da mãe – estás a ouvir, não se pode mostrar os dentes àquela gente.
É verdade, não se pode mostrar os dentes, nem àquela nem a outra gente. E se a caminhada não tiver o mérito de me tirar algumas gramas, teve de certeza a vantagem de recordar algumas regras de conduta em sociedade.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
gosto de andar de eléctrico

domingo, 21 de fevereiro de 2010
O livro de Elisabeth Badinter
sábado, 20 de fevereiro de 2010
uma boa decisão

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
escutas

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
doce de abóbora
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Se eu fosse seropositivo
Associaram-se à campanha contra a discriminação dos seropositivos muitos famosos e alguns políticos. Alguns políticos, mas nenhum do PSD, nem nenhum do PS conseguiu disponibildade de agenda para poder dizer frases como estas "Se eu fosse seropositivo, votaria em mim? "ou“Se eu fosse seropositivo, teria lugar num lar?”
Os políticos dos dois maiores partidos não tiveram disponibildade de agenda ou tiveram receio de se associarem a uma enfermidade que marginaliza quem é atingido por ela? Falta de coragem ou tacanhez? Dificuldade de agenda ou pouca disponibildade para os portugueses doentes?
- De facto, este País não é para doentes!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
o vício da liberdade

Esta semana foi estranha, começou com as Comemorações do Centenário da República, depois a reunião do Conselho de Estado, o caso Mário Crespo, a aprovação do Orçamento, as escutas do Sol, as más notícias dos jornais estrangeiros sobre as finanças do país. Mas nada fez história, foi tudo demasiado rápido.
Nós, que gostamos de dizer mal de tudo, estamos com problemas de concentração. Nós gostamos de dizer mal, não gostamos de debater. Temos o mau hábito de pensar que o debate se aproxima da política e essa “é porca”.
Confesso, fazendo um pequeno exercício de catarse, que sinto o ambiente opressivo, por via da claustrofobia e aperto generalizado.
A palavra de ordem é: falar mal do governo, é preciso.
Quem não o fizer será considerado um perigoso adepto do governo. Mas quem não tomar claramente partido, também não fica bem.
Não vejo mal em ser, ou não ser, adepto deste governo, do anterior ou do próximo. Os governos precisam e terão sempre adeptos e detractores. Eu, o meu vizinho do lado, o meu colega, quem quer que seja, é indiferente - é assim a democracia!
O País tem problemas gravissímos, mas nós não podemos deixar de ter o vício da liberdade. Podemos e devemos continuar a falar sobre tudo, tomando ou não partido. Nada é proibido em democracia, os excessos pertencerão à justiça.
