quinta-feira, 16 de abril de 2009

salários




No Negócios da Semana, o banqueiro Espírito Santo falou acerca das remunerações dos administradores. Nem dei atenção, pois acredito que sejam pessoas dotadas de conhecimentos que lhes permitem desempenhar funções que não estão ao alcance de todos e como tal podem receber o que os patrões lhes quiserem pagar.
A mim não me apanham como àquela senhora que há uns bons anos a televisão apanhou na rua a gritar contra o Presidente Mário Soares, insensível aos problemas dos outros, por ganhar alguns oitenta contos. Não arrisco por isso a insurgir-me contra os não sei quantos milhões que o dr. Silva Lopes recebeu por dois ou três meses de trabalho.
O que me preocupa é o à-vontade com que o dr. Silva Lopes, que eu aprecio-ava, vem clamar sobre a necessidade de contenção salarial.
É assim, se o dr. baixar o ordenado talvez eu não me importe de baixar o meu.
Mas o dr. Silva Lopes não é o único a alertar para os perigos do nosso endividamento e a desgraça que isso representará para as gerações futuras. Concordo, mas ou há moralidade ou ....
Pelo exposto, elejo o dr. Silva Lopes como o nosso Alain Greenspan, que também se enganou, mas já se arrependeu.
O dr. Silva Lopes terá também de se arrepender por ter contribuído para o coro dos que acham que os erros dos administradores competentes e dotados devem ser pagos pelos burros do costume.

terça-feira, 14 de abril de 2009

gestos



O abraço destas duas mulheres foi coisa rara. A rainha quebrou um protocolo de séculos. Quem sabe se por estar mais velha e achar que o que há de mais importante são as pessoas. Mas não ao ponto de deixar passar em claro o alarido de Berlusconi mandando-o calar como só os reis sabem e podem fazer.

Mas nem todos os gestos são recompensados e por isso o treinador do clube do Porto vai ficar de castigo a ver o jogo pela televisão.
Jesualdo qual Almada Negreiros pensará agora "E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu, haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar."

quinta-feira, 26 de março de 2009

A água


Poderia dizer que não escrevo por isto ou por aquilo.
Mas não o vou fazer pois o meu público não merece. Se fosse o público da Amy Winehouse, que lhe perdoa tudo, eu ainda arriscava, mas assim não.
Nem sempre apetece escrever, ou por outra às vezes a vontade de escrever por impulso é grande mas não aconselho a ninguém.
Aos assuntos mais corriqueiros como a crise, a taça da Liga ou o Papa já todos foram arrebanhar o seu quinhão.
Felizmente, sem o saberem, deixaram-me um assunto que me comove. A imagem de Zeinal Bava com um economista, cujo nome não consigo recordar, e duas garrafas de água VOSS. Nem sequer se trata daquelas águas com cristais que custam caro e até podem furar as tripas, mas também não eram águas de nascente «tout court».
Neste momento, o leitor que não se comove com tão pouco estará suspenso e ansiando pela explicação que sabe não tardará. E, é verdade.
Nos tempos que correm o ser humano tendo ouvido dizer que temos de mudar de paradigma anda de cabeça perdida sem saber como vai ser a sua vida futura. Sem poder emitir CO2 com fartura terá de repensar os seus sinais exteriores de riqueza. A água, que será um bem escasso no mundo dito civilizado - no outro já é, tornar-se-á uma fonte de conflitos. O meu receio é que se transforme num factor de distinção entre os homens. É por isso urgente que nos perguntemos para que

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009


Carnaval


A diversão barroca!


 

Barroca enquanto objecto natural, em bruto, matéria rudimentar não trabalhada. Não como o que é elaborado como aparecerá mais tarde no  vocabulário dos joalheiros. Não como a obra de joalharia mental.


Os dicionários teimam em aliar o termo ao que é bizarro, excêntrico ou até barato. 

À história do Barroco poderiamos acrescentar, como seu reflexo infalível, o da repressão moral: uma lei manifesta ou não, denuncia na prática do Barroco um desvio ou uma anomalia em relação a uma forma precedente, pura, equilibrada – a um classicismo. Só a partir de D’Ors o anátema se atenua: ou melhor dizendo, se dissimula.

Eugenio D’Ors refere-se ao Carnaval em contraponto à Quaresma. O Carnaval quase tão litúrgico quanto  a Quaresma que enquanto prepara a Sexta-Feira Santa expia a Terça Gorda.

Dirá  - que nojo um Carnaval perpétuo: Mas que sonso, um ano sem nenhuma forma de Carnaval!

Uma instituição Barroca que tal como as férias tem um valor de excepção. Encontram ambas nas leis rigidas, quer as do trabalho quer as sociais, a  sua legitimação.


Mas


- O Carnaval popular morreu. Podia ler-se no Diário de Notícias de sexta-feira, disse-o Moisés Espirito Santo que lamenta a morte de um Carnaval que “tinha vontade de libertação relativamente a preconceitos e a repressões do dia-a-dia.





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Dia


klimt
Quem gosta de namorar terá sempre um dia de Fevereiro para o fazer.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Dia


Chagal

Maria José Nogueira Pinto num frente a frente com Bernardino Soares, ontem na Sic Notícias, reconheceu que há 6 anos, quando apresentou um proposta para as reformas, ficou espantada com o PCP que alertou sobre o perigo que podia existir com a eventual falência de seguradoras. Nesse tempo acreditava na solidez de instituições que, agora, se vão desmoronando.

Reconheceu um erro, o que no panorama nacional é quase inédito. Obama fê-lo, mas em Portugal não é hábito. O erro de Maria José Ngueira Pinto revela talvez alguma ingenuidade e é preciso coragem para se reconhecer como tal.

Maria José Maria José Nogueira Pinto teve algumas responsabilidades políticas e não é importante discutir agora se as desempenhou bem ou mal. O seu nome serve apenas de pretexto.

O que interessa é perceber o que está na origem dos erros que os politicos cometem. Um trabalho árduo, pois não tem conta o rol das asneiras.

Os melhores erros são os de ingenuidade. Os piores talvez sejam os mal intencionados, os propositados, os de desleixo.
E, os de ignorância ? Será lícito puni-los?
Será lícito condenar alguém que não sabe o que está a fazer?
Será lícito punir alguém que não sabe o que tem de fazer?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Dia


H. Bosh
A crónica que o Dr. Mário Soares escreve hoje no Diário de Notícias, se não tiver utilidade de carácter político tem pelo menos o mérito de nos obrigar a ir à janela gritar a bem alto. Um grito forte que nos aliviará os pulmões e sobretudo a alma que está negra por ter de assistir impotente à impunidade que vai pelo mundo endinheirado.
Obama constata agora que o dinheiro do Plano Paulson foi para os executivos dos grandes bancos repartirem entre si. E na Europa e em Portugal? Virá alguém explicar?