sexta-feira, 1 de maio de 2009

Gestos de fim-de-semana


O meu 1º de Maio não me deixou saudades, antes pelo contrário. O 25 de Abril tinha sido há poucos dias e eu (sem grande razão de queixa dos fascistas, embora os achasse cinzentos), pensei que a festa fosse para sempre. Não me curei desta ideia romântica, por isso não me espantei com o que aconteceu a Vital Moreira. No meio daquela confusão, achei curioso o gesto de Vitor Ramalho que com vigor puxa pelo braço do candidato  quando este olha para trás. Relembrei o mito de Orfeu que para salvar Eurídice não poderia olhar para trás quando descesse ao inferno. Vital Moreira sentiu necessidade de olhar, é normal não nos podemos desligar do que fizemos, faz parte de nós.

Seguro, um aristocrata  na política

 António José Seguro é, a partir de agora, um homem a ser observado, por mim, é claro.

Parece ser honesto e teve um gesto de coragem, votou, sozinho, contra a Lei de financiamento dos partidos  ou como alguém disse contra o regresso da mala.

Agustina Bessa-Luís escreveu, num dos seus romances, uma frase de que gosto muito - “Pois que é a aristocracia senão o degrau mais alto que uma sociedade deseja atingir, a supremacia de determinada classe sobre as outras, a imposição dos seus valores, sejam eles de força, de trabalho, de espírito, conforme a época que lhes é propícia?”

Se o gesto de Seguro não foi inventado por uma qualquer empresa de comunicação, se foi autêntico e genuíno, foi uma verdadeira pedrada no charco.