domingo, 23 de maio de 2010
Consertos
quinta-feira, 6 de maio de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
dia-a-dia de uma trouxa
sábado, 3 de abril de 2010
boa páscoa
terça-feira, 23 de março de 2010
dia-a-dia de uma trouxa
quinta-feira, 4 de março de 2010
etiqueta a mais
Um destes dias fui ao supermercado lá da rua. Entrei, recolhi duas ou três coisas que precisava e quando quis pagar é que foram elas; alarmes a apitar, luzes a acender e a apagar que mais pareciam fogo-de-artifício em noite de romaria.
A menina, sem paciência e com mau modo, ia perguntando – os sapatos são novos, o casaco, a mala? Ia-lhe dizendo que não, mas pelo sim pelo não entreguei-lhe a malita que ela passou na máquina. Não apitou. Ao contrário, cada vez que me aproximava dos alarmes era um chinfrim desgraçado. Eu, que quase nunca compro nada, desfazia-me em desculpas e dizia que nada era novo. Receosa, lembrei-me que na semana anterior me tinha acontecido o mesmo numa loja, mas como o alarme tinha tocado à entrada deixaram-me sair sem qualquer problema; e como não ando a assaltar lojas também não liguei muito ao assunto.
Entretanto, a multidão que se foi juntando nas caixas ia certamente tomando partido, mas nem me atrevia a encará-los de frente. Olhei timidamente por cima do ombro e pensei - se o polícia, que está à porta, se aproxima eu morro de medo! O lampejo da sobrevivência atingiu-me o cérebro e num ápice despi o casaco. A menina passou-o, maquinalmente, na máquina. Apitou, tinha uma etiqueta, que a menina bondosamente desactivou.
Paguei e saí do supermercado dando graças a Deus por ter uma etiqueta no casaco e não numa qualquer peça de roupa mais próxima do corpo.
Mas hoje pergunto-me se não haverá nada para proteger o cliente incauto nestas situações? Como é que um ano ou dois depois a etiqueta volta a ficar activa?
Eu não peguei naquele casaco e não saí da loja de um qualquer centro a correr para não ser apanhada. Paguei o casaco e saí calmamente com o casaco no saco e não houve alarmes sonantes.
terça-feira, 2 de março de 2010
gosto de ler Camilo

segunda-feira, 1 de março de 2010
já nasceu o dono deste xaile
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
fazer justiça ao nome
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
11ª edição das Correntes d'Escritas
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Não se pode mostrar os dentes

Como a Primavera está a chegar tomei a sensata decisão de ir a pé para o trabalho. Para facilitar atravessei o hospital e fui encontrando figuras tipos ou aquelas pessoas que habitualmente chamamos cromos. Figuras da administração «papelar» e figuras médicas, conduzindo-se em transporte que não deixa dúvidas de que a doença dos outros é um negócio rentável. Doentes tristes, cabisbaixos deixando transparecer que a doença para além de magoar é coisa que humilha.
Os transeuntes, o lado mais animado como é óbvio, são cromos mais heterogéneos e entre elas a mãe e o filho que me fizeram companhia na caminhada. A mãe recolhe lixo nos caixotes da cidade, o filho acompanha-a e como conhece bem o lado estropiado da cidade vai, a esmo, alardeando cumprimentos. A mãe aos gritos vai dizendo – pá e vassoura, que maneira é essa de falar. Por minutos perdi-os de vista, mas à saída do recinto voltei a ouvir as recomendações da mãe – estás a ouvir, não se pode mostrar os dentes àquela gente.
É verdade, não se pode mostrar os dentes, nem àquela nem a outra gente. E se a caminhada não tiver o mérito de me tirar algumas gramas, teve de certeza a vantagem de recordar algumas regras de conduta em sociedade.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
gosto de andar de eléctrico

domingo, 21 de fevereiro de 2010
O livro de Elisabeth Badinter
sábado, 20 de fevereiro de 2010
uma boa decisão

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
escutas

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
doce de abóbora
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Se eu fosse seropositivo
Associaram-se à campanha contra a discriminação dos seropositivos muitos famosos e alguns políticos. Alguns políticos, mas nenhum do PSD, nem nenhum do PS conseguiu disponibildade de agenda para poder dizer frases como estas "Se eu fosse seropositivo, votaria em mim? "ou“Se eu fosse seropositivo, teria lugar num lar?”
Os políticos dos dois maiores partidos não tiveram disponibildade de agenda ou tiveram receio de se associarem a uma enfermidade que marginaliza quem é atingido por ela? Falta de coragem ou tacanhez? Dificuldade de agenda ou pouca disponibildade para os portugueses doentes?
- De facto, este País não é para doentes!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
o vício da liberdade

Esta semana foi estranha, começou com as Comemorações do Centenário da República, depois a reunião do Conselho de Estado, o caso Mário Crespo, a aprovação do Orçamento, as escutas do Sol, as más notícias dos jornais estrangeiros sobre as finanças do país. Mas nada fez história, foi tudo demasiado rápido.
Nós, que gostamos de dizer mal de tudo, estamos com problemas de concentração. Nós gostamos de dizer mal, não gostamos de debater. Temos o mau hábito de pensar que o debate se aproxima da política e essa “é porca”.
Confesso, fazendo um pequeno exercício de catarse, que sinto o ambiente opressivo, por via da claustrofobia e aperto generalizado.
A palavra de ordem é: falar mal do governo, é preciso.
Quem não o fizer será considerado um perigoso adepto do governo. Mas quem não tomar claramente partido, também não fica bem.
Não vejo mal em ser, ou não ser, adepto deste governo, do anterior ou do próximo. Os governos precisam e terão sempre adeptos e detractores. Eu, o meu vizinho do lado, o meu colega, quem quer que seja, é indiferente - é assim a democracia!
O País tem problemas gravissímos, mas nós não podemos deixar de ter o vício da liberdade. Podemos e devemos continuar a falar sobre tudo, tomando ou não partido. Nada é proibido em democracia, os excessos pertencerão à justiça.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Suicídio no local de trabalho
O Jornal O Público publicou a entrevista do psiquiatra francês Christophe Dejours “Um suicídio no local de trabalho é uma mensagem brutal”. Dejours revela muitas das causas que podem levar a esta situação. O tema tem estado na ordem do dia em França, não por ser um problema exclusivamente francês, mas por ser debatido abertamente e amplamente.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Caras leitoras
Hoje vou falar-vos de alta-costura. Era assim que começavam muitas crónicas destinadas a mulheres pelo mundo fora. Mas este discurso já não é politicamente correcto tanto mais que o assunto passou a interessar também aos homens, sobretudo os homens do mundo dos negócios.
Os tempos estão maus para a alta-costura, de tal modo que a França, país que viu este negócio florescer, preparou medidas de apoio. Mas as marcas precisam da alta-costura e dos desfiles para não deixar morrer o negócio dos perfumes, malas e toda a espécie de acessórios cujas vendas mantêm estas casas. No entanto os desfiles já não contam com alguns nomes. Christian Lacroix fechou as portas, Cacharel faliu e a outros tantos aconteceu o mesmo.
A senhora Chanel afirmou-se num tempo áspero, que no entanto não tinha ainda experimentado as maravilhas da última metade do século. Tornou-se um mito desta fábrica de sonhos que só encontra paralelo em Hollywood.
Mas como vão ser os próximos anos para os mortais deste planeta? Precisaremos de sonhos, beleza e conforto? Continuará o luxo a ser como o entendiamos até há pouco tempo?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
As virtudes da publicidade

Sempre tive dificuldade em compreender as mentes mais sensíveis às intenções da publicidade. – Mas coisa triste! A idade suavizou a réstia de racionalidade que havia em mim.
Encontrei-me, quase de lagrimita no olho, a olhar para a nova campanha de publicidade das bebidas solúveis da Nestlé. Senti-me reconfortada por saber o quanto o meu corpo beneficiará de todos aqueles cereais, fibras e café.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O gosto dos portugueses, as rolhas de cortiça, as faianças Bordalo Pinheiro e os Louboutin

Melhor sorte teve a louça que decorava a cozinha. Couves gigantes que, se fosse preciso, seriam terrinas, carantonhas coloridas, que teriam serventia de canecas caso fosse necessário, e toda a espécie de bichos do campo promovidos ao patamar da decoração.
Mas os tempos mudaram e já ninguém aprecia especialmente o mobiliário americano, as faianças Bordalo Pinheiro (que por isso atiraram trabalhadores para o desemprego), ou os sapatos portugueses que são agora substituídos, no nosso pobre imaginário, pelos Louboutin, Manolo Blahnik ou pelos Prada. E sendo tal o nosso gosto pelo novo não tardará que as rolhas de cortiça, do nosso montado, sejam substituídas. Mas deveríamos manter tudo o que é nosso, nem que seja por uma questão de prestígio como diz o enófilo Vasco d’Avillez.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Mudanças
As mudanças nos Governos têm destas coisas. Cada ministro terá uma ideia para a pasta que vai ocupar. Até se compreende e só perturbará as pessoas mais sensíveis às alterações de rotinas. Fica, no entanto, a dúvida de como alguns sectores da Administração resistirão às mudanças mais bruscas.
Dalila Rodrigues foi afastada por «entre outras coisas» querer um museu menos dependente. Paulo Henriques, ao que consta, foi nomeado para travar um pouco essa tendência e agora será substituído por um perfil mais vocacionado para a gestão.
E o museu, e os poucos funcionários e a falta de dinheiro, e os serviços da Administração, resistirão a tanto?
Estará a solução em transformar o património em «bijou» de mecenas ou em loja de venda de «marchandising»? Meias dúzia de anos serão suficientes para aferir resultados?
Os problemas da Administração não acabarão com a tentativa de solucionar problemas visíveis. Há um iceberg, grande, caro, preguiçoso, sem ideias e que se esconde. Tem por lema «Quem não aparece, esquece».
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
horta
Os lavradores têm dito horrores do tempo. Eu felizmente não me queixo. As alfaces estão lindas, a hortelã também e o aipo começa agora a estar pronto para, depois de receber os primeiros raios de sol, ir parar ao tacho do risoto.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
kindle
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Tempo das romãs

Uma esperança em Vão do paquistanês Nadeem Aslam conta a história de vidas cruzadas durante a invasão soviética ao Afganistão, em 1979.
Uso o papel que envolve o sabonete de romã da Ach Brito para fazer marcadores de livros.
Aforismo de segunda-feira
domingo, 3 de janeiro de 2010
Listas
Quando começa o ano gostamos de fazer projectos. Listas, mais ou menos extensas, cheias de deveres para cumprir. Também tenho uma lista cheia de coisas para fazer, e uma delas é ler A Vertigem das Listas de Umberto Eco, que alguém, em boa hora, inclui na lista de ofertas de Natal.
Folheando encontrei estas palavras:
Retórica da Enumeração
A retórica estimou desde a Antiguidade listas ritmicamente medidas e mensuráveis, nas quais aludir a quantidades enexauríveis não era tão importante quanto atibuir a qualquer coisa propriedades de um modo redundante, frequentemente por puro amor pela repetição.
Listas de Lugares
Tal como os indivíduos e as coisas, também os lugares são frequentemente indizíveis e, mais uma vez, o escritor recorre ao et caetera da lista.